Transporte sobre Trilhos no Rio de Janeiro Enfrenta Queda no Número de Passageiros

Metrôs e Trens do Rio de Janeiro Enfrentam Queda de Passageiros em 2024

Os sistemas de metrô e trem do Rio de Janeiro apresentaram uma diminuição de 1,2% no número de passageiros em 2024, em contraste com um aumento de 3,6% na média nacional para transportes sobre trilhos. Esses dados foram divulgados pela Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos).

Fatores que Contribuem para a Queda

A redução no volume de passageiros reflete uma série de desafios enfrentados na capital fluminense, incluindo a crise econômica, problemas de segurança pública e a discrepância entre as tarifas dos metrôs e trens estaduais em relação às dos ônibus, que são operados pela prefeitura. Essa análise parte de especialistas na área.

“Há uma grande diferença. O ônibus conta com um forte subsídio do município, e isso é necessário. Contudo, acreditamos que é fundamental implementar uma integração tarifária, com um sistema de transporte mais unificado, semelhante ao que encontramos em São Paulo e na Bahia”, destaca Ana Patrizia Lira, diretora-executiva da ANPTrilhos.

Desigualdade Tarifária

Fonte do setor privado, que preferiu manter seu nome em anonimato, comenta que a disparidade de preços entre os transportes tem incentivado a população a optar pelo ônibus. Essa situação se agravou nos últimos dois anos, quando a prefeitura começou a conceder subsídios que não foram acompanhados por medidas semelhantes por parte do governo estadual. O cenário se deteriorou ainda mais com o reajuste das tarifas em 2024, que coincidiu com o término de um subsídio temporário ao metrô.

Atualmente, na concessão estadual da Supervia, que opera os trens na região metropolitana, a tarifa é de R$ 7,60. Para o Metrô Rio, também sob gestão estadual, o valor subirá para R$ 7,90 em abril. Em contrapartida, a concessionária municipal VLT Carioca, que liga a região portuária ao centro e ao aeroporto Santos Dumont, cobra R$ 4,70, alinhando-se às tarifas dos ônibus.

Crise Econômica e Segurança Pública

Além da mudança de hábitos dos passageiros, a crise econômica no estado tem dificultado o progresso do transporte sobre trilhos. Marcus Quintella, diretor da FGV Transportes, enfatiza que “o centro da capital passou por um esvaziamento e não conseguiu recuperar a atração de empregos, algo essencial para o transporte público.”

A insegurança agravada também impacta a Supervia de forma significativa. “Os tiroteios e os constantes furtos de cabos de cobre representam desafios sérios. Organizações criminosas atuam nesses roubos, causando problemas operacionais que podem levar até duas horas para serem resolvidos”, explica Lira.

Queda da Supervia e Falta de Planejamento

Com a situação atual, a Supervia enfrenta um estado crítico. A concessionária, que pertence à Gumi Brasil, da Mitsui japonesa, já declarou insolvência e está sob recuperação judicial. No final do ano passado, um acordo foi firmado entre a empresa e o governo para assegurar a continuidade da operação, embora ainda não esteja claro como ocorrerá essa transição. Quintella expressa preocupação sobre a possível administração estatal da operação.

Outro ponto que dificulta o desenvolvimento do transporte sobre trilhos é a estagnação da rede. “Falta planejamento e investimentos públicos em expansão”, ressalta Quintella.

Ações do Estado e Perspectivas para o Futuro

A Secretaria Estadual de Transporte e Mobilidade Urbana informou que um grupo de trabalho foi constituído para a transição da Supervia e que R$ 60 milhões já foram alocados em melhorias operacionais, com a previsão de que mais R$ 300 milhões sejam investidos. A Supervia, no entanto, não fez comentários sobre a situação.

Sobre o aumento da tarifa do metrô, a pasta afirma que “o reajuste é conforme estipulado no contrato de concessão”. O governo também menciona que um novo contrato para o sistema metroviário está iminente e poderá resultar na redução da tarifa, embora não haja definição do novo valor ainda.

A Metrô Rio, quando solicitada, explicou que “o valor da tarifa é estabelecido no contrato de concessão e está sujeito a reajustes anuais homologados por uma agência reguladora”. Já a VLT Carioca revelou um aumento de 30% no número de passageiros entre janeiro de 2024 e 2025, impulsionado pela inauguração do Terminal Intermodal Gentileza, que conecta o BRT às linhas de ônibus municipais.

Contexto Nacional

Outros estados brasileiros também relataram quedas no número de passageiros em seus sistemas de transporte. O Rio Grande do Sul, por exemplo, registrou uma das principais diminuições em 2024, principalmente devido a desastres climáticos enfrentados na região, segundo Ana Patrizia Lira. Em nível nacional, mesmo com o aumento de passageiros, os números ainda estão 21,2% abaixo dos níveis pré-pandemia de 2019.

Leia a matéria na integra em: valor.globo.com

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